Coronavírus: convivendo com a incerteza

Segundo o último relatório da OCDE, a perspectiva global é menos pessimista, uma vez que que a retomada das atividades está sendo relativamente mais vigorosa do esperado, o que permitiu reduzir as expectativas de queda do PIB global em 2020 de – 6% para – 4,5%. Entretanto, os riscos e as incertezas ainda permanecem elevados. Apesar da revisão dos dados ainda se projeta que a economia global, no final de 2021, esteja num patamar inferior ao observado em 2019, mesmo nas projeções mais favoráveis.

A atividade global reagiu com mais força do previsto, após a flexibilização das medidas de confinamento e a retomada parcial dos negócios. Entretanto, o avanço das economias é muito heterogéneo, sendo particularmente negativo nos países que aplicaram medidas mais restritivas (e.g. alguns países de Europa, Índia) e em aqueles que dependem do turismo ou serviços com interação social. Já a China é o único país do G-20 com crescimento positivo, ancorado em um rápido controle da epidemia e em um massivo estimulo econômico baseado em investimento de infraestrutura. A retomada Chinesa contribuiu à retomada parcial dos preços das commodities colaborando em melhorar o apetito pelo risco nos mercados financeiros.

O consumo das famílias em bens duráveis, como carros, aumentou relativamente mais rápido que outras partidas, enquanto o consumo de serviços encontra-se deprimido, evidenciando uma mudança de hábitos de consumo e a incerteza imperante. Nos Estados Unidos e no Japão o gasto total permanece entre 4% e 5% abaixo dos níveis anteriores à pandemia. Por outro lado, as horas trabalhadas caíram dramaticamente, cujo impacto na demanda agregada e no circuito da renda foi atenuada pelos programas governamentais destinados a manter a renda das famílias. Finalmente, o investimento das empresas não financeiras e o comercio internacional permanecem letargiadas, desestimulando a retomada da produção manufatureira nos países exportadores.

A recuperação econômica global perdeu folego em julho, tendo recuperado até esse momento pouco mais da metade do produto perdido entre janeiro e abril. Os indicadores de mobilidade urbana se estabilizaram em níveis pré pandemia, enquanto que o índice PMI registra uma melhora marginal. Medidas de isolamento regionais, fechamento de fronteiras e diversas restrições para evitar novos surtos do Covid-19, contribuíram para uma retomada mais lenta em alguns países.

Uma recuperação gradual é projetada para os próximos dezoito meses, registrando um crescimento do PIB global em 2021 de 5%, embora ainda sem atingir o patamar de 2019. Ainda mais, o impacto da crise sanitária, econômica e social pode ter consequências mais profundas e permanentes. Para evitar perdas maiores, as políticas fiscais e monetárias ativas devem ser preservadas.

Leia o trabalho completo aqui

Foto: Reprodução/R.Rumo